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Cláudio fernando coimbra, o claudião, é o penetra de todas as festas, o baladeiro por profissão. Ele tem uma única regra: "Saio, não nego, paro quando puder "
Muita gente já se confundiu. - Aquele ali não é o Lenine? Principalmente quem freqüenta a noite paulistana em vernissages, pré-estréias, saraus de grã-fi - nos, celebrações corporativas - versão espumante com carpaccio de salmon para a festa da firma - ou simplesmente nas inúmeras reuniões dançantes em casas e apartamentos de amigos por aí afora.
- Gente, esse Lenine está em to-das! Na próxima ocasião em que encontrar com o cantor e compositor pernambucano, pode chamálo de Cláudio Fernando Coimbra. "Certa vez, uma menina me alugou a noite inteira duvidando que eu não era o Lenine. Dizia que conhecia todas as minhas músicas e de tanto me perseguir acabei assinando: um abraço com carinho, Lenine cover".
Claudião, como é conhecido, admite a semelhança, mas mesmo sendo um festeiro profissional nunca se valeu disso em causa própria. De nada adiantou cortar o cabelo recentemente, pois na mesma época, por uma dessas ironias, o autor de Falange canibal também renovou o visual. Segue o karma.
FESTA BOA É PRA TODO O MUNDO
A paixão pela noite começou cedo e em grande estilo. Ainda Claudinho, aos 15 anos já se aglomerava atrás da multidão em um show do performático Alice Cooper, no Anhembi, no distante ano de 1974. Passou também a freqüentar as primeiras festas na vizinhança da Pompéia, simpático bairro de São Paulo conhecido por abrigar artistas, músicos e escritores, onde sua mãe tinha uma pensão. Entre umas e outras ainda dava para acompanhar os ensaios da novíssima banda Tutti-Frutti no estúdio que ficava a poucos metros de sua casa. E a Rita Lee.
Após o debut promissor e depois de se tornar habitué de casas como Carbono 14, Bar da Terra e Dama da Noite, Claudião se mandou para os Estados Unidos, deixando para trás a noite paulistana e o curso de Psicologia. Morou em Nova York, Los Angeles, Miami e São Francisco. Foi de tudo um pouco, de garçom de restaurante mexicano a manobrista de estrelas. Chegou a arrendar um vallet e passou a estacionar carros de gente como Arnold Schwarzenegger e Chuck Norris.
As festas continuavam a fazer parte de sua rotina na América. E as melhores celebrações eram as que tinham mexicanos e brasileiros por trás - como se fosse possível não ser de outra forma. Lamentava apenas o fato de que, se a polícia aparecesse, a farra teria que acabar na mesma hora. Sem xurumelas.
Quando seu visto vencia, retornava ao Brasil com dólar na sunga e sede de praia. Em uma dessas temporadas de verão, comprou uma Kombi com a qual desbravou freneticamente a nossa costa. Além de alguns amigos, viajavam com ele uma fada e um duende estampados na lataria do utilitário. O clima de cooperação imperava: os marmanjos se revezavam ao volante enquanto as meninas se encarregavam de descolar a gasolina. Bastava ficar na beira da estrada simulando uma pane qualquer no motor que logo aparececia uma alma bondosa com o tanque do carro cheio e disposto a ajudar - afinal a caravana não podia parar.
Entre essas idas e vindas aos Estados Unidos, o avô de Claudião morreu e sobrou para ele tomar conta de uma mansão no Brooklyn, bairro bacana de São Paulo. Sua missão era cuidar da casa e tentar vendêla o quanto antes para que depois a família dividisse a partilha. Podemos dizer que ele não foi muito bem na empreitada, pois levou dez anos para que a negociação fosse fechada. Por outro lado, foi possível trocar de lado e dar algumas festas - umas cinqüenta, ele calcula - enquanto o mercado imobiliário não se aquecia. "Festa boa é aquele em que todo mundo entra. E na minha casa, se trouxer cerveja, sujeito nenhum fica de fora". Como se vê, o "arrozismo" é uma via de mão dupla.
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