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Minas gerais está mais perto do céu. Em ouro preto, o autor marcelino freire pode reencontrar a elisabete e fazer a sua festa

Ouro Preto é uma festa. Estive lá há pouco, no Festival de Inverno. Quantas badalações. De sinos. Das suas dezoito igrejas. E o pecado que são aquelas ladeiras. É só chutar o calçadão e chamar um palavrão. Perdão. Sem contar a quantidade de carros. Juro: a cidade histórica está tomada de buzinas. Acelerações. Não é proibido automóvel descer. E subir. E a gente bêbado, contornando os becos, toda hora tentando escapulir. Dos freios. Para ir parar no Centro de Convenções. Onde a juventude se reúne: na sua maioria, de universitários. Coloridos. Moderníssimos. Em nada lembram os coroinhas. Digo: a serviço do Pai-Nosso. Perdoai os nossos abusos.

Ave nossa! Já cheguei aos 40 anos e rememoro, aqui, a minha adolescência. Quando a gente ia à beira das missas, nas quermesses. Nos finais da tarde de sábado e domingo. Nós e nossas bicicletas estacionadas. Era em frente à igreja Santo Antônio, no Recife, que a gente paquerava. Eu sempre branco e pálido. Sem forças nem virilidade. A minha vontade era voltar, dali, para as leituras dos poemas de Manuel Bandeira. Foi por causa do Bandeira que eu quis ser escritor. E foi por causa dele idem que perdi a minha primeira namorada. Nada a ver com o Porquinho-da-Índia.

Elisabete era o nome da menina. Por quem eu era apaixonado, sei lá. Eu não sabia nem piscar. Não sabia chegar junto. Duro no assunto. Preferia escrever um poeminha: "Bela Elisabete, grudarei em você feito chiclete". E até: "Meu coração bate Elisabete bete bete". Que horror! Fico recordando desse antigo calor exatamente vendo a fila de jovens esperando o show de rock acontecer. No frio de 12 graus, na noite ouropretana da sexta. Difícil de imaginar clima tão antibarroco. Em uma das cidades de Aleijadinho. Brotos leves e soltos. Tatuados e musculosos a gosto. Meninas parecidas nova-iorquinas. São tão bonitas que vem tudo que é gente em cima. De Belo Horizonte, das cidades vizinhas. Só para azarar. Menos eu, quieto no meu lugar. Sozinho.

     
 

Leia na íntegra a crônica de Marcelo Freire na edição impressa da Revista V número 25.