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A festa é um hiato. É uma saída para fora da história. É uma quebra no encadeamento cotidiano das coisas do mundo. É uma suspensão delirante da rotina. É uma abertura, fenda ou brecha na seqüência, no fio lógico da vida.

Festa é um fenômeno universal. Está presente em todas as épocas, sociedades, povos e culturas. É por isso mesmo que qualquer manual de antropologia sempre traz verbetes sobre cerimônias e rituais; a relação entre sacrifícios, oferendas e festas; a festa como parte do rito; os aspectos rituais e os não-religiosos da festa; a música e a dança. A festa é um hiato. É uma saída para fora da história. É uma quebra no encadeamento cotidiano das coisas do mundo. É uma suspensão delirante da rotina. É uma abertura, fenda ou brecha na seqüência, na linearidade, no fio lógico da vida individual ou coletiva. São muitas, en? m, as definições, as interpretações que os estudiosos nos oferecem do fenômeno transhistórico e transcultural da festa. Não raro, fazendo-a derivar do sagrado: a origem da festa estaria na religião, em tempos onde ainda não havia uma divisão entre festas sagradas e festas profanas.

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Mas não vamos enveredar pelo mundo labiríntico das interpretações da festa. Fiquemos em plano mais simples, mais pedestre. O fato é que não há humanidade sem festa. Sem música, dança e canto. O amor da humanidade pelos floreios da voz e os meneios do corpo data de milênios. Sempre esteve presente em todos os cantos e recantos do mundo. Em todas as partes do planeta. Desse amor, nenhum povo ou comunidade escapou, escapa ou deseja escapar. Bom exemplo disso são os índios que habitavam os trópicos atualmente brasileiros. Quando os europeus começaram a desembarcar aqui, às primeiras luzes do século XVI, ficaram impressionados. Os tupis que circulavam pelos litorais brasílicos tinham, basicamente, duas preocupações: a guerra e a festa. Cabia às cunhãs produzir o pão de cada dia da aldeia. Porque os homens, quando não estavam trocando flechas e tacapadas, promoviam bailes. Com uma diferença fundamental. A guerra era empresa exclusivamente masculina. A festa, não. A festa era de todos.

     
 

Leia sobre a origem da festa e sua importância na humanidade na edição impressa da Revista V número 25